DECISÃO JOSÉ LUIS DA SILVA JUNIOR alega sofrer coação ilegal diante de acórdão proferido pelo Tribunal… — HC HC 1109237
Análise documental baseada na ementa oficial do Superior Tribunal de Justiça, organizada para consulta e compreensão do precedente.
Comentário editorial
Nesta leitura jurisprudencial, a decisão é situada por classe, competência e órgão julgador. O registro corresponde a HC, apreciado por Decisão terminativa ou acórdão publicado no Diário da Justiça, sob relatoria de ROGERIO SCHIETTI CRUZ. Esses elementos ajudam a avaliar o alcance processual do pronunciamento.
O precedente deve ser confrontado com a moldura fática, a questão jurídica decidida, eventuais requisitos de admissibilidade e a legislação mencionada. Os destaques abaixo funcionam como mapa de leitura da ementa, não como substituto do inteiro teor ou de pesquisa sobre decisões posteriores.
Pontos centrais da ementa
- DECISÃO JOSÉ LUIS DA SILVA JUNIOR alega sofrer coação ilegal diante de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo no Agravo em Execução Penal n.
- Consta dos autos que as instâncias ordinárias indeferiram o pedido do paciente, de remição de pena em razão de aprovação no ENCCEJA, ao fundamento de que o sentenciado já havia obtido remição anteriormente em razão de aprovação no ENEM, ambos referentes ao ensino médio, o que configuraria duplicidade de benefício pelo mesmo fato gerador.
- A defesa sustenta que o acórdão impugnado diverge da orientação consolidada neste Superior Tribunal de Justiça.
- Afirma que a negativa do benefício viola o art.
Tese jurídica registrada
Concedido o Habeas Corpus a #{nome_da_parte} #{campo_livre_inicial} #{tipo_de_votacao} #{orgao_julgador} #{relator_para_acordao} #{campo_livre_final} — Concedendo
Tema
01209.07942.07791.10637.
Ementa oficial
DECISÃO
JOSÉ LUIS DA SILVA JUNIOR alega sofrer coação ilegal diante de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo no Agravo em Execução Penal n. 5007566-08.2026.8.08.0000.
Consta dos autos que as instâncias ordinárias indeferiram o pedido do paciente, de remição de pena em razão de aprovação no ENCCEJA, ao fundamento de que o sentenciado já havia obtido remição anteriormente em razão de aprovação no ENEM, ambos referentes ao ensino médio, o que configuraria duplicidade de benefício pelo mesmo fato gerador.
A defesa sustenta que o acórdão impugnado diverge da orientação consolidada neste Superior Tribunal de Justiça. Afirma que a negativa do benefício viola o art. 126 da Lei de Execução Penal e a Resolução CNJ n. 391/2021. Alega, ainda, que a aprovação em exames nacionais, como ENEM e ENCCEJA, pode gerar remição mesmo quando o apenado esteja vinculado a atividades regulares de ensino no estabelecimento prisional.
Pede o reconhecimento da remição de pena decorrente da aprovação no ENCCEJA e a retificação dos cálculos de pena e dos marcos executórios.
Decido.
É possível o avanço para a pronta solução do habeas corpus, com fundamento na jurisprudência sobre o tema.
Inicialmente, ressalto que, conforme meu entendimento, à luz do princípio da legalidade, o fato gerador da remição (art. 126 da LEP) é o estudo. Premia-se a atividade que estimula a qualificação do preso, por contribuir para a finalidade ressocializadora da pena. Também o aprendizado por conta própria, autodidata, quando certificado pelo êxito em exames nacionais de ensino, é passível de remição, uma única vez. Assim, a mera participação nas provas por apenados que já têm o diploma somente comprova a escolaridade anterior e não o estudo para conclusão dos ensinos fundamental e médio durante a execução penal.
Todavia, esse não é o entendimento majoritário que prevelece nesta Corte. Ainda que o ENCCEJA e o ENEM, pelas regras atuais, certifiquem a conclusão do ensino médio, é de rigor a concessão da ordem, pois a Terceira Seção desta Corte fixou o entendimento de que os exames têm finalidades diferentes e podem resultar em dupla remição, sem ocorrência de bis in idem. Deveras:
.. 1. Nos termos do art. 126 da Lei de Execuções Penal, será remido 1 dia de pena para cada 12 horas de frequência escolar, sendo aplicado o percentual de 50% para o caso de condenado não vinculado a estabelecimento de ensino, no qual, por conta própria, executa atividade intelectual e, posteriormente, realiza o exame nacional de certificação, conforme termos da Recomendação n. 44/2013 do CNJ
[trecho intermediário suprimido]
anotações de acordo com os critérios legais.
..
1. A aprovação no ENEM autoriza a remição de pena por estudo, ainda que o apenado já tenha sido beneficiado por remição decorrente de aprovação em todas as áreas do ensino médio via ENCCEJA. 2. O Juízo da execução deve realizar os cálculos e proceder às anotações necessárias para a remição reconhecida, observados os critérios legais .. (AgRg no HC n. 1.079.867/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 15/6/2026, DJEN de 18/6/2026.)
À vista do exposto, concedo o habeas corpus, in limine, para reconhecer ao paciente o direito à remição em razão da aprovação no ENCCEJA, ainda que já tenha obtido premiação anterior pela participação no ENEM, e determinar ao Juízo da Execução o cômputo do benefício, sem o acréscimo de 1/3 previsto no art. 126, § 5º, da LEP e vedada a consideração sucessiva do mesmo tipo de exame para fins de novo benefício.
Publique-se e intimem-se.
EMENTA
Fonte e transparência
Conteúdo documental proveniente do conjunto oficial de dados abertos do STJ. Consulte também a pesquisa de jurisprudência do STJ e o arquivo oficial de origem deste registro.
Aviso: este material tem finalidade informativa e documental. Não constitui parecer jurídico nem garante aplicação do entendimento a outro processo.