DECISÃO Trata-se de conflito de competência instaurado entre o JUÍZO FEDERAL DA 1ª VARA CRIMINAL DE GO… — CC CC 220774
Análise documental baseada na ementa oficial do Superior Tribunal de Justiça, organizada para consulta e compreensão do precedente.
Comentário editorial
Nesta leitura jurisprudencial, a decisão é situada por classe, competência e órgão julgador. O registro corresponde a CC, apreciado por Decisão terminativa ou acórdão publicado no Diário da Justiça, sob relatoria de MESSOD AZULAY NETO. Esses elementos ajudam a avaliar o alcance processual do pronunciamento.
O precedente deve ser confrontado com a moldura fática, a questão jurídica decidida, eventuais requisitos de admissibilidade e a legislação mencionada. Os destaques abaixo funcionam como mapa de leitura da ementa, não como substituto do inteiro teor ou de pesquisa sobre decisões posteriores.
Pontos centrais da ementa
- DECISÃO Trata-se de conflito de competência instaurado entre o JUÍZO FEDERAL DA 1ª VARA CRIMINAL DE GOVERNADOR VALADARES - SJ/MG, suscitante, e o JUÍZO DE DIREITO DE MANGA - MG, suscitado.
- O Juízo de Direito de Manga - MG declinou da competência para apurar e julgar crime de moeda falsa, sob o entendimento de que o delito revelaria interesse da União a atrair a competência da Justiça Federal, pois "não haveria indícios de que a falsificação da cédula não seria grosseira" (fls.
- O Juízo Federal da 1ª Vara Criminal de Governador Valadares - SJ/MG, por sua vez, suscitou o conflito por considerar que os elementos colhidos até o momento dariam conta de que a falsificação seria grosseira e facilmente indentificável por um homem médio, circunstância que atrairia a competência da Justiça Estadual (fls.
- O Ministério Público Federal manifestou-se pela competência do Juízo de Direito de Manga - MG (fls.
Tese jurídica registrada
Declarado competente o #{nome_do_juizo} #{campo_livre_final} — Outros
Tema
01209.10604., 00287.03523.03524.
Ementa oficial
DECISÃO
Trata-se de conflito de competência instaurado entre o JUÍZO FEDERAL DA 1ª VARA CRIMINAL DE GOVERNADOR VALADARES - SJ/MG, suscitante, e o JUÍZO DE DIREITO DE MANGA - MG, suscitado.
O Juízo de Direito de Manga - MG declinou da competência para apurar e julgar crime de moeda falsa, sob o entendimento de que o delito revelaria interesse da União a atrair a competência da Justiça Federal, pois "não haveria indícios de que a falsificação da cédula não seria grosseira" (fls. 33-34).
O Juízo Federal da 1ª Vara Criminal de Governador Valadares - SJ/MG, por sua vez, suscitou o conflito por considerar que os elementos colhidos até o momento dariam conta de que a falsificação seria grosseira e facilmente indentificável por um homem médio, circunstância que atrairia a competência da Justiça Estadual (fls. 58-59).
O Ministério Público Federal manifestou-se pela competência do Juízo de Direito de Manga - MG (fls. 11-13).
É o relatório. DECIDO.
Conheço do conflito de competência, uma vez que instaurado entre juízes vinculados a tribunais diversos, nos termos do art. 105, inciso I, alínea "d", da Constituição Federal.
Narram os autos que foi instaurado inquérito policial para apurar a suposta prática do crime de moeda falsa. A fase inicial da investigação teria apontado para a hipótese de falsificacão grosseira, nos termos de boletim de ocorrência lavrado pela Polícia Militar, a qual teria descrito a cédula apreendida com características falsas, tonalidade de cor e textura diferente da cedula verdadeira, tintura amarelada, borrões e partes esbranquiçadas (fl. 8).
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que, para a caracterização do delito de moeda falsa, deve haver um nível mínimo de sofisticação, de maneira a levar o homem médio a erro quanto à autenticidade do material de que são fei tas as moedas/cédulas. Nesse contexto, considera-se essencial o laudo pericial como elemento de prova em crimes desta natureza, o qual não foi providenciado ou não está anexado aos autos.
Assim, ausente perícia conclusiva quanto à idoneidade da falsificação e tendo em vista as informações no sentido de que a falsificação seria grosseira, deve incidir no presente caso o enunciado da Súmula n. 73, STJ, segundo o qual a conduta ora apurada amolda-se ao delito de estelionato, o que atrai a competência da Justiça Estadual.
A propósito, confiram-se os seguintes precedentes:
"AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA. JUÍZO FEDERAL X JUÍZO ESTADUAL. MOEDA FALSA. CONCLUSÃO PERICIAL QUANTO À IDONEIDADE DA FALSIFICAÇÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.
[trecho intermediário suprimido]
não possui a capacidade de ludibriar terceiros.
2. "A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência da Justiça Estadual" (Súmula n. 73/STJ).
3. Competência da Justiça Estadual, o suscitado." (CC n. 135.301/PA, relator Ministro Ericson Maranho (Desembargador Convocado do TJ/SP), Terceira Seção, julgado em 8/4/2015, DJe de 15/4/2015).
No mesmo sentido, confiram-se as seguintes decisões monocráticas: CC n. 216.831, Ministro Ribeiro Dantas, DJEN de 02/12/2025; CC n. 208.527, Ministro Og Fernandes, DJEN de 09/09/2025; CC n. 213.307, Ministro Messod Azulay Neto, DJEN de 05/08/2025.
Assim, compete à Justiça Estadual o prosseguimento das investigações e a realização das diligências necessárias, inclusive exame pericial das cédulas apreendidas.
Ante o exposto, conheço do conflito para declarar competente o Juízo de Direito de Manga - MG, ora suscitante.
Publique-se. Intimem-se.
EMENTA
Fonte e transparência
Conteúdo documental proveniente do conjunto oficial de dados abertos do STJ. Consulte também a pesquisa de jurisprudência do STJ e o arquivo oficial de origem deste registro.
Aviso: este material tem finalidade informativa e documental. Não constitui parecer jurídico nem garante aplicação do entendimento a outro processo.