DECISÃO O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS agrava da decisão que inadmitiu o recurso espec… — AREsp AREsp 2937972
Análise documental baseada na ementa oficial do Superior Tribunal de Justiça, organizada para consulta e compreensão do precedente.
Comentário editorial
Nesta leitura jurisprudencial, a decisão é situada por classe, competência e órgão julgador. O registro corresponde a AREsp, apreciado por Decisão terminativa ou acórdão publicado no Diário da Justiça, sob relatoria de ROGERIO SCHIETTI CRUZ. Esses elementos ajudam a avaliar o alcance processual do pronunciamento.
O precedente deve ser confrontado com a moldura fática, a questão jurídica decidida, eventuais requisitos de admissibilidade e a legislação mencionada. Os destaques abaixo funcionam como mapa de leitura da ementa, não como substituto do inteiro teor ou de pesquisa sobre decisões posteriores.
Pontos centrais da ementa
- DECISÃO O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS agrava da decisão que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art.
- 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais no Agravo em Execução n.
- No reclamo, o agente ministerial invocou violação dos arts.
- Afirma que o recorrente não é comprovadamente hipossuficiente somente pelo fato de ser assistido pela Defensoria Pública (fls.
Tese jurídica registrada
Conheço do agravo de #{nome_da_parte} para dar provimento ao Recurso Especial #{campo_livre_final} — Concedendo
Tema
7791, 3608, 7792, 10622
Ementa oficial
DECISÃO
O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS agrava da decisão que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais no Agravo em Execução n. 1.0000.24.360.664-7/002.
No reclamo, o agente ministerial invocou violação dos arts. 50 e 51 do Código Penal. Afirma que o recorrente não é comprovadamente hipossuficiente somente pelo fato de ser assistido pela Defensoria Pública (fls. 93-105).
O recurso especial foi inadmitido na origem, por óbice da Súmula n. 83 do STJ (fls. 122-126), o que ensejou a interposição do agravo.
No agravo, sustenta a não incidência da Súmula 83 do Superior Tribunal de Justiça, visto que a orientação desta Corte não se firmou em sintonia com o decidido no acórdão impugnado, haja vista a existência de precedentes que demonstram a impossibilidade de comprovação da incapacidade econômica do apenado somente fundada em seu atendimento pelo órgão defensorial (fls. 136-143).
O Ministério Público Federal opinou pelo conhecimento e provimento do agravo e provimento do recurso especial (fls. 137-140).
Decido.
I. Admissibilidade
O agravo é tempestivo e infirmou os fundamentos da decisão agravada, razões pelas quais comporta conhecimento.
O recurso especial também suplanta o juízo de prelibação, haja vista a ocorrência do necessário prequestionamento, além de estarem presentes os demais pressupostos de admissibilidade (cabimento, legitimidade, interesse, inexistência de fato impeditivo, tempestividade e regularidade formal), motivo por que avanço na análise de mérito da controvérsia.
II. Pena de multa e a hipossuficiência financeira
O Ministério Público tem o poder-dever de executar o título penal condenatório. A multa não é um débito com a Fazenda Pública (o valor é destinado ao fundo penitenciário nacional). A aplicação das normas da legislação relativa à dívida ativa (art. 51 do CP) não afastou dela o caráter de sanção criminal previsto no art. 5º, XLVI, "c", da Constituição Federal.
Quando a condenação transita em julgado: a) o Juiz sentenciante expede a guia de recolhimento para distribuição e início da execução da pena privativa de liberdade e b) o Ministério Público tem legitimidade para ajuizar execução da pena de multa, seguindo o rito civil apropriado.
Os feitos tramitam separadamente. Na execução da multa, o Ministério Público pede a citação do requerido para efetuar o pagamento da dívida de valor. Se persistir o inadimplemento, o órgão terá a oportunidade de procurar e indicar bens à penhora. Uma
[trecho intermediário suprimido]
de liberdade. Desse modo, a declaração do recorrente gozaria de presunção de hipossuficiência econômica. Entretanto, o Tribunal de origem reconheceu que não houve manifestação do apenado e não é bastante ser representado pela Defensoria Pública.
Desse modo, o acórdão recorrido não está em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, sendo necessário, ao menos, que o recorrente tivesse apresentado declaração de sua apontada hipossuficiência econômica, para arcar com a pena de multa sem prejuízo de sua subsistência e de sua família.
IV. Dispositivo
À vista do exposto, conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial, a fim de reformar o acórdão recorrido e determinar o prosseguimento da execução penal, com o objetivo de que se analise fundamentadamente a situação financeira do apenado nos termos acima expostos, afastada a presunção de pobreza decorrente da mera atuação da Defensoria Pública.
Publique-se e intimem-se.
EMENTA
Fonte e transparência
Conteúdo documental proveniente do conjunto oficial de dados abertos do STJ. Consulte também a pesquisa de jurisprudência do STJ e o arquivo oficial de origem deste registro.
Aviso: este material tem finalidade informativa e documental. Não constitui parecer jurídico nem garante aplicação do entendimento a outro processo.